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O que é saudável e o que não é?

Atualizado: 1 de dez. de 2021

Nesse mundo corrido em que vivemos, tendemos a associar saúde com ausência de doença, deixando que o protagonismo esteja relacionado ao desconforto e ignorando toda a magnitude e infinitas nuances que a saúde tem.


Muitas pessoas me procuram através de um desconforto que passou a fazer parte de seu dia a dia como ansiedade, angústia, procrastinação, tristeza, raiva, às vezes com alguma patologia como depressão e transtornos de ansiedade (ansiedade e transtorno de ansiedade não são as mesmas coisas, tenho um vídeo explicando a diferença). E geralmente, quando nos profundamos nessas questões e no fator desencadeante desses desconfortos, percebemos o quanto essas respostas do organismo são saudáveis dentro da realidade que aquela pessoa vive.


É natural e saudável que você se sinta mal diante dos inúmeros estímulos e gatilhos diários aos quis somos expostos. Ter medo do desconhecido, da falta de perspectiva, da impotência, do contato diário com a morte e com a violência, da iminência de sofrer uma abordagem na rua ou dentro da própria casa. Quem consegue estar imune a todos esses gatilhos? Quem consegue ignorar todas as notícias ou ficar imune a elas?


Nosso corpo possui um ajustamento criativo para nos mostrar que algo não vai bem ou que precisa ser mudado. Muitas vezes, aparece em forma de sintomas e por mais que esses sintomas tragam algum transtorno em nossas vidas pessoais e interações sociais, eles são naturais e saudáveis para nos movimentar na direção de uma vida mais equilibrada emocionalmente. Mas como assim, os desconfortos são saudáveis, Nayara? Eu sei, parece contraditório, mas quando ampliamos o nosso olhar e enxergamos o indivíduo para além do sintoma, percebemos o quanto era necessário que ele passasse por determinados desconfortos para olhar as questões que ignorou por anos, se não pela vida toda. Isso o faz se movimentar na direção de uma melhor qualidade de vida e, consequentemente, a uma vida mais saudável. Para essas pessoas e para a maioria de nós, é só através do desconforto que acabam se movimentando.


A partir disso, passamos a desenvolver recursos juntos, em terapia, para não se alienarem mais de seus sentimentos ou pensamentos. Trabalhamos o seu protagonismo e a aceitação desses sentimentos mesmo que desprazerosos, pois é necessário conversar com o sintoma para entender o que ele quer nos dizer. Sem deixar que esse sintoma defina aquela pessoa, mas enxergando o ser humano que há por trás para fazê-lo emergir e aí sim começar a construir práticas que o levarão à saúde integral, mas apenas pela busca de seu bem estar e não como uma resposta à doença. Lembrando sempre do nosso lema – humanização e protagonismo.


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